Dorival Caymmi: poesia, mimese e crítica social

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   Analisando vida e obra de Dorival Caymmi em intermédio de suas canções ora que usufruir do gênero literário lírico, onde a musicalidade e a subjetividade são suas principais características, com devidas críticas a sociedade e seus problemas sociais, o compositor com renome em todo país, um baiano que tem seu nome marcado na história musical brasileira, não se limitando a cantar, pois também fora compositor, violonista, pintor e ator.

   A canção de acordo com os gêneros tradicionais da poesia fixa “[…] é uma composição curta, cujo teor pode ser ora melancólico, ora satírico. Permite todos os temas e nem sempre se destina a ser cantada. Pode ou não apresentar estribilho ou refrão. As canções nacionais incorporam-se à tradição de todos os povos” (GOLDSTEIN, 2006, p.81) de forma que tem como temas como a vida do negro, sensualidade da baiana, a vida na Bahia, a praia, o mar entre outros. Deixando seu nome gravado na história da música brasileira, sendo chamado de preguiçoso por apenas suas 120 canções no qual através das mesmas realizava críticas a vida do negro, por ser contra o preconceito, deixando claro que por sua cor ele também sofreu preconceito no meio artístico musical, alguns falam que não foi preconceito e sim inveja que alguns artistas tiveram.

   Sendo aqui analisada uma música de grande peso em sua carreira musical, Vida de Negro, que é rica em literariedade, na qual, através do figura das negras e negros exaltados em canções, do ritmo, símbolos e outras características, sendo que “O literário consta de certo texto que possui a literariedade, constituído pelas metáforas, metonímias, sonoridade, ritmos, narratividade, descrição, personagens, símbolos, ambiguidade e alegorias, os mitos e outras propriedades” (SAMUEL, 2011).

Foi entre o mar e o céu,
Sobre as ondas ao Léu
O veleiro a rodar.

Adeus Terra de Luanda
Fica filhos de Umbanda

Era a escravidão
E no negro porão
Triste coro a cantar

Adeus Terra de Luanda
Fica filhos de Umbanda

Piedade Senhor
Pelos homens de cor
que perderam seu lar

Adeus Terra de Luanda
Fica filhos de Umbanda

E lá do sude abrilhou
E o céu todo se iluminou
E o sol do novo mundo em fim no horizonte
Raiou este sol da liberdade
Que lhe deu felicidade e amor.

— Dorival Caymmi

   Na música Navio negreiro, o autor traz, segundo (SAMUEL, 2011) a mimese, a representação do real, de forma que ainda procura manter a beleza em sua música, a estética mesmo que no momento da partida do negro, o qual era um horror, o autor ainda traz a beleza da natureza, como o céu, o mar. Mostra a saudade, a religião, a tristeza de ser arrancado de suas terras, de seu povo, e ainda que tudo isso acontecesse, a esperança ainda os povoando , sendo que na nova terra onde foram obrigados a trabalhar pudessem viver suas vidas sem tanto sofrimento, na esperança de serem livres, e quando livres ficaram todo céu se iluminou segundo a ultima estrofe, pois “ O texto literário envolve dimensões universais, individuais, sociais e históricas” (PROENÇA, 2000), a citação traduz inteiramente a música sendo que a mesma fala da historicidade da escravidão no Brasil, seu efeito social e universal na sociedade.

   Buscando entender o refrão “entre uma aparição do refrão e outra, como há os versos que se intercalam, o tom do apelo vai ficando mais forte e denso à medida que a leitura do poema avança[…] o refrão se torna m lamento cada vez mais acentuado” (GOLDSTEIN, 2006, p.54), cada vez que é lido o refrão, ele vem de maneira mais forte, mais revoltosa onde o autor dar ênfase a partida do negro e a despedida de  seu filhos, sua comunidade, de seu povo em geral, mostrando sua religião ao citar Umbanda, com isso trazendo traços de sua cultura como já citado acima, de seu contexto social, onde a descriminação e o preconceito tomavam conta de tudo e todos, na qual a Bahia como berço do Brasil, tem a maior população Afrodescendentes do pais, e também uma diversidade cultural imensa, dentro de tudo isso Dorival Caymmi deixa em suas musicas a honra de seu povo, exaltando as belezas da terra e também as tristezas já vividas por seus ancestrais.

   Concluindo, vale-se expressar que nas obras de Dorival Caymmi, de acordo com seu contexto social, vivido na Bahia, com suas músicas de critica, exaltação da beleza da baiana, das belezas naturais da Bahia e tudo mais, o qual a literatura é mimese, é a imitação da realidade de uma forma mais suave, detalhista, emocional e de multe significação da realidade é também da natureza glorificada, da sensualidade da mulher, a literatura é a arte da visão de infinito, de abrir portas jamais abertas, Dorival Caymmi nos mostra esse caminho com suas canções perfeitas.

Referências:

PROENÇA, Domício. A linguagem literária. São Paulo: Ática, 2000.

SAMUEL, Rogel. Novo manual de teoria literária. 6 ed. Petrópolis: Vozes, 2011.

GOLDSTEIN, Norma Seltzer. Versos, sons, ritmos. 14 ed. São Paulo: Ática, 2006.


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Rafael L. Deveza

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